ATIVIDADE FÍSICA COMO INTERVENÇÃO ADJUVANTE NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO
Resumo
A depressão constitui um dos transtornos mentais de maior relevância em saúde pública devido à sua elevada prevalência e ao impacto significativo sobre o funcionamento individual, social e econômico. O tratamento convencional baseia-se predominantemente no uso de antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, frequentemente associados a intervenções psicoterapêuticas. Entretanto, parcela considerável dos pacientes apresenta resposta terapêutica parcial ou recorrência dos sintomas, o que tem motivado a investigação de estratégias complementares capazes de ampliar os resultados do tratamento. Entre essas abordagens, destaca-se a prática de atividade física, cuja associação com benefícios para a saúde mental tem sido amplamente descrita na literatura científica. O presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura, a influência da prática de atividade física em indivíduos em uso de medicação antidepressiva. A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e Cochrane Library, incluindo estudos publicados entre 2000 e 2024, com prioridade para ensaios clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises. As evidências disponíveis indicam que programas estruturados de atividade física podem contribuir para a redução da sintomatologia depressiva, possivelmente por meio da modulação de neurotransmissores relacionados à regulação do humor, aumento da expressão do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e regulação de respostas neuroendócrinas ao estresse. Além disso, a atividade física associa-se a benefícios psicossociais que podem favorecer a evolução clínica do paciente. Assim, o exercício físico apresenta potencial como estratégia complementar no tratamento da depressão.