DISFUNÇÃO RENAL OCULTA NO PACIENTE COM SEPSE: PROPOSTA DE RECONHECIMENTO CLÍNICO E RASTREIO PRECOCE
Resumo
A injúria renal aguda é uma complicação frequente e grave em pacientes com sepse, especialmente em unidades de terapia intensiva, estando associada ao aumento da morbimortalidade, maior tempo de internação e necessidade de suporte avançado. Tradicionalmente, seu diagnóstico baseia-se na elevação da creatinina sérica e na redução do débito urinário, conforme critérios amplamente utilizados na prática clínica. Entretanto, esses parâmetros podem apresentar limitações no paciente crítico, pois frequentemente se alteram de forma tardia, quando processos fisiopatológicos renais já estão em curso. Nesse contexto, este trabalho propõe o conceito de disfunção renal oculta, caracterizado por alterações clínicas, hemodinâmicas e laboratoriais iniciais que sugerem comprometimento funcional renal antes do preenchimento dos critérios formais de injúria renal aguda. Por meio de uma revisão integrativa da literatura, são discutidos mecanismos relacionados à sepse, como inflamação sistêmica, disfunção microcirculatória, hipóxia citopática, disfunção mitocondrial e estresse tubular. Também se destaca o papel de biomarcadores precoces, como NGAL, KIM-1, IL-18, TIMP-2 e IGFBP7, que sustentam a existência de injúria renal subclínica. O reconhecimento desse estado pode favorecer maior vigilância clínica, otimização hemodinâmica, controle do balanço hídrico e prevenção da exposição a agentes nefrotóxicos. Assim, a disfunção renal oculta deve ser compreendida como uma proposta conceitual de rastreio precoce, ainda dependente de validação prospectiva.