ENTRE O NORMAL E O PATOLÓGICO: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE OS FUNDAMENTOS E DESAFIOS DO CONCEITO DE NORMALIDADE NA PSICOPATOLOGIA
Resumo
O conceito de normalidade em psicopatologia constitui um dos temas mais complexos e debatidos na saúde mental, com implicações diretas para a prática clínica, a formação médica e a formulação de políticas públicas. Este trabalho, desenvolvido em formato de revisão bibliográfica narrativa, analisou produções científicas publicadas entre 2000 e 2025 em bases nacionais e internacionais, além de documentos oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da Associação Psiquiátrica Americana (APA) e do Ministério da Saúde. A análise revelou que a normalidade não pode ser entendida como parâmetro absoluto, mas como categoria relativa, dependente de contextos culturais, históricos e sociais. Autores clássicos, como Canguilhem, Szasz e Engel, e estudos recentes em psiquiatria transcultural e saúde mental global evidenciam a necessidade de compreender a normalidade como processo dinâmico e multifatorial, para além da ausência de transtornos. Destaca-se também o risco de patologização excessiva e de medicalização da vida cotidiana, o que reforça a importância de uma abordagem crítica, que considere diversidade, resiliência e determinantes sociais da saúde. Conclui-se que a reflexão sobre o normal e o patológico é indispensável para uma prática clínica mais humanizada e para a construção de políticas inclusivas, capazes de equilibrar critérios diagnósticos com respeito à singularidade das experiências humanas.