TUMOR DE WILMS: ABORDAGEM DESENVOLVIMENTAL E O MODELO DO SILÊNCIO FETAL

Autores

  • Flávio Junio PICHIONI
  • Vitória Maria PEREIRA
  • Laura Souza BARCELOS
  • Geraldo Gaspar Leme COUTINHO

Resumo

O Tumor de Wilms é a neoplasia renal maligna mais frequente na infância, apresentando estreita relação com o desenvolvimento embrionário do rim. Sua origem está associada a alterações nos processos de nefrogênese, especialmente na interação entre o broto ureteral e o mesênquima metanéfrico. Apesar dessa origem fetal bem estabelecida, sua detecção ocorre predominantemente no período pós-natal, geralmente nos primeiros anos de vida, evidenciando uma dissociação entre o início biológico da doença e sua manifestação clínica. Este estudo propõe o Modelo do Silêncio Fetal, com o objetivo de explicar essa lacuna entre a origem precoce e a detectabilidade tardia do tumor. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em estudos clássicos e contemporâneos de embriologia renal, biologia molecular tumoral, anatomia e métodos diagnósticos, buscando integrar diferentes níveis de compreensão do processo neoplásico. Os achados indicam que as alterações iniciais ocorrem em nível molecular e microscópico, envolvendo genes reguladores do desenvolvimento, como WT1 e IGF2, além de mecanismos epigenéticos, sem expressão estrutural detectável por métodos convencionais, como a ultrassonografia pré-natal. Propõe-se, assim, uma fase biologicamente ativa, porém clinicamente silenciosa. Conclui-se que a ausência de diagnóstico pré-natal decorre não apenas de limitações tecnológicas, mas também das características intrínsecas da biologia tumoral. O modelo contribui para a compreensão dessa dinâmica e reforça a necessidade de novas estratégias diagnósticas baseadas em biomarcadores precoces.

Publicado

2026-07-08

Como Citar

Junio PICHIONI, F., PEREIRA, V. M., Souza BARCELOS, L., & Gaspar Leme COUTINHO, G. (2026). TUMOR DE WILMS: ABORDAGEM DESENVOLVIMENTAL E O MODELO DO SILÊNCIO FETAL. Revista Corpus Hippocraticum, 1(1). Recuperado de https://revistas.unilago.edu.br/index.php/revista-medicina/article/view/1552