ABORDAGEM ATUAL DA SÍNDROME DE RAYNAUD: UMA REVISÃO DE LITERATURA BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Resumo
A Síndrome de Raynaud é um distúrbio vasoespástico precipitado por frio e estresse, cuja gravidade e impacto funcional variam conforme a distinção entre formas primária e secundária, sobretudo quando associadas à esclerose sistêmica. Evidências atuais sustentam uma abordagem escalonada e personalizada: medidas não farmacológicas — proteção térmica rigorosa, cessação do tabagismo, educação e manejo do estresse — como base do cuidado; bloqueadores de canais de cálcio como primeira linha, com benefício modesto porém consistente; inibidores da fosfodiesterase‑5 e análogos de prostaciclina em casos refratários, particularmente na forma secundária; antagonistas de receptores de endotelina para prevenir recorrência de úlceras digitais. A toxina botulínica desponta como opção promissora em quadros graves, ainda carecendo de ensaios robustos. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial, desequilíbrio de mediadores vasoativos e contribuições neurais e intravasculares, orientando decisões terapêuticas. Ferramentas digitais (aplicativos, termografia por smartphone) e instrumentos específicos de qualidade de vida ampliam a sensibilidade para mudanças clinicamente relevantes. O conceito VEDOSS e biomarcadores, como CXCL10, favorecem estratificação precoce e vigilância dirigida. Prioridades incluem padronização de desfechos centrados no paciente e validação de intervenções não farmacológicas e protocolos com toxina botulínica.