OBESIDADE INFANTIL E ESTRATÉGIAS INTEGRADAS NÃO MEDICAMENTOSAS: EVIDÊNCIAS DE UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Resumo
A obesidade infantil constitui uma das mais desafiadoras condições de saúde pública contemporânea, apresentando natureza multifatorial e determinantes que abrangem desde fatores biológicos até sociais e ambientais. Nas últimas décadas, a prevalência global aumentou de forma alarmante, configurando um cenário de risco intergeracional. O manejo dessa condição, entretanto, não deve se restringir a intervenções medicamentosas, mas priorizar abordagens não farmacológicas, integradas e sustentáveis. O presente estudo realizou uma revisão sistemática da literatura segundo os critérios PRISMA 2020, incluindo publicações entre 2010 e 2024, nas bases PubMed, Embase e Cochrane. Foram analisados 15 estudos elegíveis, envolvendo ensaios clínicos randomizados que abordaram intervenções multicomponentes e intersetoriais não medicamentosas, em contextos familiares, escolares, comunitários e de atenção primária. Os resultados indicam que programas familiares intensivos, aliados ao engajamento escolar e comunitário, demonstram maior efetividade na redução de parâmetros antropométricos, ainda que de forma modesta, com melhorias mais consistentes em comportamentos relacionados à alimentação, atividade física, sono e tempo de tela. Evidências apontam que a intensidade, a duração e o reforço periódico das ações são determinantes para a manutenção dos resultados. Não obstante, lacunas permanecem no tocante à sustentabilidade das políticas públicas e à equidade no acesso, especialmente em populações vulneráveis. Conclui-se que o enfrentamento da obesidade infantil exige estratégias multissetoriais, familiares e comunitárias, sustentadas por políticas públicas robustas e adaptadas às realidades locais.